segunda-feira, 30 de maio de 2011

Fim de maio

Cismo
no frio
Amor inacabado.

O vinho
(meia garrafa)
Ignora
                a música do
                Chico Buarque
e cumpre o seu ofício!
               
                e os CDs
                os DVDs
                os livros – estantes vazias!

(o que planejamos no ano passado?)

É preciso uma lua inteira
                               branca
                               languida
                               vadia...

Vazia minhas mãos!

Atraso o jantar,
Acendo um cigarro,
Trago um gole seco.

(Veneno comprado para matar rato).

Distraio
contando os ladrilhos da
cozinha

É o vício,
noites não dormidas,
a cama vazia...
... o prato não colocado na mesa,
Um café sozinha
                na varanda fria.

(O que planejamos no ano passado?)

Vazia, garrafa
                vinho
                copo
chão
                coração
                sem ar!

Saliva...
A quem conto histórias passadas?

(Não sou Joana...
nem sou de João!
e o jornal não encontra linhas de minhas memórias)

Corpo consumido pela perda!
carne
                boca
                estomago
meus pés que não pisam chãos!

Maíra
30/05/2011

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Sem título

Escrevo versos sem rimas...
as palavras
soltas
...como solto tu és.

Versos pra não morrer
desse tédio
dessa hora
desse dia!

quarta-feira, 18 de maio de 2011

sem nome

Deitada sobre rimas que desfio
olhos corroídos de um longo
não-chorar...
Aflitas, mãos seguram,
destilados
caminhos não-idos.

Calafrios
frios
calados
e o não
despertar.

Ciúmes
Raiva
Tramas...

Teço imensa transa

espero
calo
frios
calados...

é preciso não despertar...

terça-feira, 17 de maio de 2011

versos sobre a fome

Estanco
     sorriso mórbido

cadáveres
     de mim mesma.

Arranho
                Pedra
                Unha
                Pedra
                Asfalto
Rubro líquido que nos toca...

Perderas o senso?

De fome há fome
     escarro

turva água
    do trago seco

que nunca beberas.

Inerte mão
                estrangula
meu grito retido
                na garganta!

Linhas de pipas...

Colore
                as esquinas
quando sorri...
                Sorriso
aberto nas esquinas que perdi.

Espero

uma resposta...
um gesto...

Linha de uma pipa
                               ...ao longe
                Céu
                     dos meus
                     amores!

Rasgo meu peito!
                Desejo
                Beijo
um dia que não vem...

Frio!

É o frio!
                Grito alto
para ecos de mim mesma...

Choro

Bato na janela de seu quarto

...não vem!

Maio das angustias
                               Mães
                               Praças
                               Revoltas
...
E um peito tardio...

Choro
É o frio!
Eco dos fantasmas meus.

Esquinas perdidas
Que você            sorri

Sinto
Espero

....
linhas idas de um pipa

sábado, 14 de maio de 2011

Vim

Na procura de um outro poema antigo, lá do tempo da escola, achei esses versos. Pelo jogo das frases eu já havia conhecido Maiakóvski, já havia me perturbado o verso do Esduardo Alves da Costa "Por andar ombro a ombro com um poeta soviético"; alguma coisa assim... já não me recordo tão bem quanto antes. Um poema perdido, sem data. E um tanto sem graça também. Um poema imaturo... acredito que vale a pena ler como um caminho que percorri...

Vim pra ver o céu
chorar, lentos
orvalhos, caídos
comigo... pra mim

vim porque o grito
                               retido
                na garganta
                doçura
                desmedida
uma mentira ida.

ilhas...
idas...
que não fui!

vim pra não sufocar
                estridente grito
das paredes
do quarto

pra te esquecer, vim
aquecer na
                garoa fria
despedida.

Vim!

domingo, 1 de maio de 2011

O dia depois do 1º de Maio

Penso versos
inacabados
não conhecerão o sol.

E se fossemos
todos
esquizofrenicos,

parte
instável
de um diagrama?

E raimundo
seria não mais uma rima.

... e sem solução.

rodo o lápis no espaço vazio. vazio espaço branco.
papel!

Não tenho paciência.
risco nomes
uma receita.

Guardo no bolso a conta que vai vencer.
levanto.
Não temos mais um dia inteiro para amar.

Maíra
01/05/2011